Investir em design vale a pena? O que dizem os números

Investir em design vale a pena? O que dizem os números

McKinsey mediu +32% de receita, o DMI mediu +211% sobre o S&P 500 e a Baymard +35% de conversão. O caso econômico do design, em números com fonte e sem achismo.

Vale. E não por opinião: por medição. A McKinsey acompanhou 300 empresas de capital aberto por cinco anos e mediu, no quartil líder em design, 32 pontos percentuais a mais de crescimento de receita e 56 pontos percentuais a mais de retorno total ao acionista do que a média do setor (McKinsey). O índice do DMI mostrou uma carteira hipotética de empresas orientadas a design rendendo 211% acima do S&P 500 em dez anos (DMI). E a Baymard, analisando os maiores checkouts de e-commerce do mundo, encontrou até 35% de conversão perdida por decisões de design ruins (Baymard). Detalhamos os três estudos, e mais uma dezena de números, no paper O Retorno do Design. Este post é a versão curta: para quem precisa da resposta antes da reunião de orçamento.

O estudo da McKinsey em 2 minutos

A McKinsey criou o Design Index (MDI) e mediu 300 empresas de capital aberto em três setores (tecnologia médica, bens de consumo e banco de varejo) ao longo de cinco anos, cruzando mais de dois milhões de pontos de dados financeiros com mais de 100 mil ações de design registradas. Não é opinião de diretor de arte. É planilha.

O resultado, no texto original: "os melhores do quartil superior do McKinsey Design Index aumentaram receita e retorno total ao acionista substancialmente mais rápido que os concorrentes do setor ao longo de cinco anos: 32 pontos percentuais a mais de crescimento de receita e 56 pontos percentuais a mais de crescimento em retorno total ao acionista, no período completo" (McKinsey, The Business Value of Design).

O que o quartil superior faz diferente, segundo o mesmo estudo: mede design com o mesmo rigor analítico usado para medir receita e custo, elimina a barreira entre design físico, digital e de serviço, trata design como responsabilidade de todo o time (não de um departamento isolado) e itera com usuário real durante o desenvolvimento, não só no fim. A McKinsey também aponta que o mercado premia desproporcionalmente quem se destaca de verdade: a diferença entre o segundo, o terceiro e o quarto quartil é pequena. O prêmio está em ser o melhor, não em ser mediano.

O índice DMI: design como carteira de ações

O Design Management Institute fez um exercício simples e brutal: montar uma carteira de investimento hipotética só com empresas historicamente reconhecidas por design forte e comparar o retorno dela contra o S&P 500. Em dez anos, essa carteira rendeu 211% a mais que o índice (DMI).

Isso não prova causalidade linha a linha (empresa investe X em design, fatura Y a mais), mas prova algo mais útil para quem aprova orçamento: o mercado financeiro, ao longo de uma década inteira, precificou design como vantagem competitiva sustentável, não como gasto de estética. É o mesmo tipo de sinal que a McKinsey encontrou por outro caminho, com outra metodologia, em outro recorte de empresas.

Onde o retorno aparece primeiro: conversão

Se receita de dez anos parece distante, a conversão é onde o efeito aparece rápido. A Baymard audita checkouts dos maiores e-commerces do mundo e mede quanto de venda se perde em atrito de design: formulário confuso, botão ambíguo, passo desnecessário. A estimativa é de até 35% de conversão recuperável só corrigindo usabilidade de checkout (Baymard).

Para ter noção do tamanho do bolo no Brasil: a taxa de conversão média em e-commerce nacional gira em torno de 2,98%, segundo o panorama da Leadster (Leadster). Cada ponto percentual de conversão a mais, nesse patamar, é uma fração relevante da receita total. E esse jogo começa antes de qualquer clique: o usuário forma julgamento visual do site em 50 milissegundos, antes de ler uma palavra, e esse julgamento persiste pela sessão inteira. Detalhamos a ciência disso aqui.

Quando design NÃO paga

Aqui é onde a maioria dos estúdios para de falar, e é onde a conversa fica honesta. Design não é bala de prata. É multiplicador, não ressuscitador.

Três cenários em que investir em design não vai te salvar:

Produto sem demanda validada. Trinta e cinco por cento das startups morrem por falta de demanda de mercado, não por interface feia (CB Insights, via Cubo Itaú). Se ninguém quer o que você vende, um redesign bonito só deixa a rejeição mais elegante. O problema a resolver primeiro é validação, não visual, e é sobre isso que escrevemos no post sobre quanto custa um MVP.

Canal de aquisição quebrado. Se o tráfego pago está mal configurado, o público é o errado ou o funil vaza antes da landing page, trocar o site não conserta o cano furado antes dele.

Redesign como fetiche. "Está cansado" não é hipótese de negócio. Redesenhar porque o time interno enjoou do layout, sem métrica que sustente a mudança, é o jeito mais caro de gastar orçamento de design.

Design multiplica o que já funciona. Onde já existe demanda, tráfego e um produto que resolve algo, o design decide se essa energia converte em receita ou se evapora em abandono de carrinho. Onde não existe nada disso, nenhum estúdio do mundo conserta com tipografia.

As estatísticas de design que são falsas

O mercado adora um número redondo sem fonte. "94% da primeira impressão é design" (Stanford, dizem, errado: é Sillence et al., outro estudo, outro contexto). "Você tem 7 segundos para causar boa impressão" (não tem fonte nenhuma, e o estudo real fala em 50 milissegundos). "Design bom custa o dobro" (nunca vimos a planilha). Esses números circulam de post em post, de agência em agência, sem que ninguém tenha aberto o artigo original uma única vez.

Dedicamos um capítulo inteiro do paper O Retorno do Design a desmontar essas estatísticas falsas, uma a uma, com a fonte correta ao lado de cada erro de atribuição. Se você já citou algum desses números numa apresentação, vale a pena conferir antes de citar de novo.

Perguntas frequentes

Design aumenta vendas de verdade, com dado, ou é só discurso de agência? Com dado. O quartil líder do McKinsey Design Index cresceu receita e retorno ao acionista muito acima da média do setor em 300 empresas medidas ao longo de cinco anos. Não é discurso, é o resultado de dois milhões de pontos de dados financeiros cruzados com ações de design reais.

Existe um ROI médio de design que eu possa usar numa planilha? Não um número único. O retorno varia conforme onde o design atua: marca e posicionamento (McKinsey, DMI) ou conversão direta (Baymard, Leadster). O caminho honesto é usar os estudos certos para o problema certo, não importar um múltiplo genérico.

Vale a pena investir em design se meu site é pequeno? Vale, na mesma proporção. A perda de conversão por atrito de checkout que a Baymard mede acontece em lojas pequenas e grandes. E a primeira impressão de 50 milissegundos não distingue porte de empresa.

Quando design não é a resposta? Quando o problema é anterior: produto sem demanda comprovada, canal de aquisição quebrado ou redesign motivado por cansaço visual, sem hipótese de negócio por trás. Nesses casos, o investimento certo é validação, não visual.

Se você chegou até aqui com a calculadora mental ligada, os números completos, a metodologia de cada estudo e o capítulo sobre as estatísticas falsas do mercado estão no paper O Retorno do Design. E se quiser aplicar isso no seu projeto, a conversa começa no WhatsApp do Tiago, sem formulário: o preço e o prazo saem na primeira conversa, por escrito.

Fontes

  1. The Business Value of Design · McKinsey & Company
  2. 2015 Design Value Index · Design Management Institute (DMI)
  3. Checkout Usability: E-Commerce UX Research · Baymard Institute
  4. Panorama da taxa de conversão por segmento · Leadster
  5. Attention web designers: You have 50 milliseconds to make a good first impression! · Behaviour & Information Technology (Taylor & Francis)
  6. Por que startups falham · Cubo Itaú (via CB Insights)
  7. O Retorno do Design · Mirtilo

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